22 de Agosto - Dia do Folclore

Segundo a Enciclopédia Livre WIKIPÉDIA, o termo folclore é um neologismo de folk-lore, onde os vocábulos da língua inglesa folk significa "gente" ou "povo" e lore significa "conhecimento", passando a ter o significado de conhecimento tradicional de um povo. Usado pela primeira vez na carta enviada pelo arqueólogo Ambrose Merton – pseudônimo de Willian John Thoms – endereçada à revista londrina “The Atheneum”, que a publicou em agosto de 1845. Em comemoração instituiu-se mundialmente o Dia do Folclore em 22 de agosto.

Fonte

João Almir Mendes Sousa em seu livro Tinguis! Di Repente 50 (2019), afirma que no Brasil, o 22 de agosto – dia do Folclore, passou a ser comemorado oficialmente após o Decreto Federal nº 56.747, de 17 de agosto de 1965. Tal oficialização ocorreu em virtude da grande massa de estudos sobre cultura popular que já havia no país desde o século XIX. Entre os estudiosos desse tema, destacaram-se nomes como o de Mário de Andrade e de Câmara Cascudo. Em 1951, foi realizado o I Congresso Brasileiro de Folclore, no qual foi elaborada a Carta do Folclore Brasileiro, um documento que foi de suma importância para o desenvolvimento das pesquisas sobre a cultura popular brasileira. A carta trazia em seu conteúdo tanto o reconhecimento do estudo folclórico quanto uma definição particular dele, como podemos ver: “...reconhece o estudo do Folclore como integrante das ciências antropológicas e culturais, condena o preconceito de só considerar como folclórico o fato espiritual e aconselha o estudo da vida popular em toda sua plenitude, quer no aspecto material, quer no aspecto espiritual; constituem o fato folclórico as maneiras de pensar, sentir e agir de um povo, preservadas pela tradição popular e pela imitação e que não sejam diretamente influenciadas pelos círculos eruditos e instituições que se dedicam ou à renovação e conservação do patrimônio científico e artístico humanos ou à fixação de uma orientação religiosa e filosófica; são também reconhecidas como idôneas as observações levadas a efeito sobre a realidade folclórica, sem o fundamento tradicional, bastando que sejam respeitadas as características de fato de aceitação coletiva, anônima ou não, e essencialmente popular”.

Dada a importância e a necessidade do folclore em nossas vidas, a COMISSÃO NACIONAL DO FOLCLORE/IBECC/UNESCO, na Carta do Folclore Brasileiro de 16 de dezembro de 1995, reserva o capítulo V para a Salvaguarda e Promoção do Folclore: 1. Reconhece-se a importância do apoio às manifestações folclóricas. Esse apoio deve-se dar, sobretudo, no sentido de assegurar as condições sociais e naturais aos homens para garantir o florescimento de suas expressões culturais dinâmicas. 2. Recomenda-se que as Comissões Estaduais se articulem com os órgãos locais para realização de pesquisas e outras atividades que visem a promoção e a salvaguarda dos portadores e de grupos folclóricos de qualquer natureza. 3. Reconhece-se a necessidade de fortalecimento dos organismos oficiais, de caráter nacional, estadual e municipal que se destinam à defesa do patrimônio folclórico do Brasil.

Nesse sentido, como a própria Carta do Folclore Brasileiro destaca, precisamos ampliarmos o nosso entendimento sobre o folclore, passando a vê-lo como o conjunto de criações de uma comunidade, baseado nas suas tradições expressas individual ou coletivamente, representativo de sua identidade social. Constituem-se fatores de identificação folclórica: aceitação coletiva, tradicionalidade, dinamicidade e funcionalidade.

Severino Vicente (2010) destaca que todas as pessoas são portadoras de folclore. No dia a dia cada pessoa pratica ações que foram apreendidas pela tradição, ou seja, fazem parte de uma herança cultural deixada pelas gerações que as antecederam. Na linguagem coloquial, estão presentes as características do falar de sua região, bem como expressões gestuais que incorporou inconscientemente e que facilitam sua comunicação. O folclore está presente em todas as camadas sociais, entre os instruídos ou não, chega aos eruditos, influi e motiva as letras e as artes.



Compreender o folclore e a cultura popular, sobretudo nos dias atuais, exige uma aproximação neste campo de conhecimento, respeito pelo homem e sua cultura, atitude positiva em relação ao que é necessário preservar e documentar para a posteridade.

É mais do que necessária uma visão geral e integrada da cultura num contexto massificado para compreender que cada cultura é uma tonalidade e suas partes entrelaçam-se numa dinâmica com referenciais distintos, cujo conhecimento é imprescindível para a formulação de políticas públicas em planos de ação educativa.

As criações populares folclóricas nascem da espontaneidade, livre das regras da cultura oficial ou erudita. Não atende a um mercado consumista com fins imediatos de lucro. Perpetua-se pela oralidade, tradicionalidade e aceitação coletiva.

Nosso saudoso Luiz Antônio Barreto, pesquisador nato do tema, sempre teve a preocupação de evidenciar a importância do folclore para a educação e para o turismo:

"O folclore recupera no Brasil, atualmente, seu prestigio como ciência do Povo e faz conexões novas, importantes, que valorizam as múltiplas manifestações nacionais, Folclore combina com comunicação, como quer a LUSOCOM – A INTERCOM, que em seus estudos enfocam sempre a figura do pesquisador e teórico pernambucano Luiz Beltrão um dos inovadores do pensamento popular no Brasil. Folclore combina com Turismo, alimentando no trade a expectativa de bons negócios, com o fluxo de turistas consumindo a renda cultural popular brasileira, nos cenários próprios das comunidades. Folclore combina com Educação e, por meio desse entrelaçamento, é possível ampliar conceitos, aprofundar estudos, cotejar arquétipos e levar ao campo do interesse filosófico (...) (BARRETO, 2005, p. 89 – Folclore: invenção e comunicação).

Destaco aqui um dos pontos essenciais do folclore, a oralidade, pois se trata de conhecimentos que são perpetuados por meio dos ensinamentos de uma geração para outra, pautados substancialmente na oralidade. Isso nos faz entender como ocorre o processo de reatualização, pois na transmissão desses saberes acontece, também, a adaptação das tradições ao novo contexto. O homem é dinâmico, vivendo em constante processo de transformação e isso propicia a mudança de valores, crenças e saberes. Neste sentido, ganha importância a conceito de fato folclórico, que pode ser entendido como:

O fato folclórico se caracteriza pela sua espontaneidade e pelo seu poder de motivação sobre os componentes da referida coletividade. A espontaneidade indica que o fato folclórico é um modo de sentir, pensar e agir, que os membros da coletividade exprimem ou identificam como seu, sem que a isto sejam levados por influência direta ou instituições estabelecidas. O fato folclórico, contudo, pode ressaltar tanto de invenção como de difusão. (FERNADES, 1978, p. 25).

Percebemos então que o fato folclórico, na concepção de Florestan Fernandes, está intrinsecamente ligado à questão da identidade. A ideia de pertencimento permeia todo o conceito. Além disso, outro enfoque relevante é que ele inclui o elemento da invenção. O fato folclórico não fica restrito à difusão de saberes, a reprodução de um viés tradicional, mas também abre espaço para as inovações, para a criatividade social.

Ao contrário do que muitos pensam, o folclore não é a sobra do tempo passado, a sobrevivência do ontem, uma relíquia cristalizada, mas sim o passado reelaborado, adequado ao presente, à realidade vivenciada pela comunidade. Por esse ângulo, o folclore seria uma ponte que une passado e presente, ou seja, o presente dialogando com a tradição. E para que a tradição seja mantida e repassada de geração em geração é preciso estudar sobre nossas origens, estudar o nosso folclore para poder despertar em nas nossas crianças, adolescentes, jovens e adultos, curiosidades sobre os antepassados e estimular o interesse pela riqueza cultural do nosso país, advinda da influência de culturas de diferentes povos, como: africanos, indígenas e europeus.

Por último destaco que o folclore brasileiro tem espaço na Constituição Federal, promulgada em 1988. Os artigos 215 e 216 garantem o direito a todos os brasileiros de exercerem manifestações culturais e definem que a cultura popular brasileira deve ser incentivada e que a sua preservação deve ser defendida, destaca também a proteção do patrimônio cultural brasileiro pelos órgãos estatais responsáveis pelo estudo, proteção e divulgação do folclore nacional, como a Comissão Nacional de Folclore ligada à UNESCO e ao Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura.