Rembrandt e a noite que virou dia

O porto de Amsterdam é o principal distribuidor de duas mercadorias que são o sonho de consumo da época: o tabaco e o açúcar. É uma cidade onde moram os homens mais ricos de Europa e Rembrandt é o retratista favorito dessa alta burguesia protestante. Ele é o único capaz de representar um equilíbrio perfeito entre a pompa da riqueza do cliente e a sobriedade de seu rígido e austero espírito protestante.

Em 1639, o grêmio dos 'poiliciais' de Amsterdam encarregou a Rembrandt um quadro que enaltecesse seus dirigentes. O pintor decidiu então evitar o clássico retrato grupal em torno de uma mesa e decidiu pintá-los em movimento, em meio a uma ronda de vigilância. Três anos depois entregava "A Ronda Noturna".

Na pintura há 34 personagens, mas tem 16 que são pessoas reconhecíveis na época, membros da diretoria do grêmio, e estão distribuídos segundo a importância de cada um. O centro, por exemplo, está ocupado pelos chefes, o Capitão Cocq e o tenente Ruytenburgh. O grêmio pagou uma fortuna que equivalia a cinco anos de salário de um trabalhador.

Rembrandt estava no auge da sua carreira, ganhava muito dinheiro na cidade mais rica da Europa e gastava em consequência. Morava numa casa de quatro andares, vestia luxuosamente, colecionava antiguidades. Contudo, algo estranho aconteceu na sua vida, a partir deste quadro.

O retrato grupal em movimento era uma novidade para a época. Diz-se que alguns membros não acharam muito conveniente o formato e se recusaram a pagar, em especial Ruytenburgh, vestido no quadro de amarelo. Diz-se que o descontentamento foi além e que devido a essa influência negativa, o pintor deixaria de receber encargos pelos próximos dez anos.

Rembrandt iria a falência, todos seus quadros e móveis seriam leiloados, com exceção de um espelho, e morreria num bairro pobre se Amsterdam, entre bêbados e prostitutas.

Em 1940 foi removida uma capa de verniz escuro que alguém colocou no quadro e descobriu-se que a ronda noturna aconteceu de dia, mas o nome foi mantido.

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