O pintor e o estripador

Walter Sickert foi o precursor do pós-impressionismo na Inglaterra e, ao mesmo tempo, um homem que pintava prostitutas com roupa, às vezes, e outras nuas e em posições chamativas. Sickert tinha talento e era escandaloso, era um artista maldito. Em um sentido mais amplo, retratava fenômenos da cultura urbana: espetáculos populares, pequenos burgueses, trabalhadores.

Nu reclinado (Picryl)


Londres era a cidade mais povoada, nesse final do século XIX, e, com tanta gente e tanto anonimato, o crime era um dos efeitos mais inquietantes das metrópoles.

Em 1907, uma jovem prostituta, Emily, apareceu degolada em seu leito, num apartamento que ficava no bairro de Sickert. A notícia bateu intensamente na imaginação coletiva do povo, os crimes de Jack o estripador, acontecidos vinte anos antes -mas não resolvidos-, atiçavam ainda o temor de boa parte do público. A imprensa chamou de Assassinato de Camdem Town e explorou o fato durante um tempo.

Sickert o pintou.

O assassinato da rua Camdem (Wikipédia)


Quando aconteceram os crimes do 'assassino de Whitechapel', Sickert tinha 18 anos. Ele sempre demonstrou interesse por esse mistério. Chegou incluso a alojar-se e pintar um quarto onde (segundo disseram) haveria morado o Jack.

Esse interesse levou a que, trinta anos depois da sua morte, já nos anos 70, alguns autores começaram a vender a ideia de que o pintor tinha sido o estripador ou um cúmplice. No início do século XXI, publicou-se ainda um livro que prometia evidências genéticas extraídas de cartas que certificariam que Sickert tinha sido Jack. Mas tudo não era mais do que uma farsa bestsellerista que artigos publicados em revistas científicas se encarregariam de desmentir.

O quarto de Jack (Wikipédia)

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