O mundo de Christina, 1948

Uma mulher de costas, deitada na grama, suas mãos parecem se agarrar à grama. Não se sabe se acabou de acordar ou se acabou de cair no quadro. Na verdade, ela está andando. O quadro está inspirado em Christina Olsen, uma vizinha do pintor, Andrew Wyeth, que por uma doença muscular degenerativa deixou de andar aos 30 anos. Como se negava a usar cadeira de rodas, andava se arrastando. Na obra, Christina está indo para sua casa, lá no horizonte. Wyeth vira esta cena inúmeras vezes da sua janela.

Mas Christina, se bem foi a inspiradora, não foi modelo da pintura; o corpo que ali aparece é o da esposa de Sndrew, trinta anos mais nova que Christina, que para a época tinha já 55.


Andrew Wyeth, tempera, Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Fonte


Andrew Wyeth não era bem considerado entre os críticos dos anos da pós II Guerra. Era visto como um pintor do século XIX e até meio cafona. Mas O Mundo de Christina foi comprado pelo Museu de Arte Moderna de Nova Iorque e a vida de Andy mudou para sempre. A crítica olhou para seus quadros com algo mais de atenção e Wyeth começou a ganhar dinheiro.

Mas surgiram então umas questões de teor ético. Wyeth usara uma descapacitada para satisfazer seu ego de artista? Ele se defendeu dizendo que queria mostrar que uma limitação física não implicava uma limitação espiritual. Por que então substitui o corpo de Christina pelo da sua esposa Betsy, mais jovem e bonita?

O segundo problema foi que Wyeth tinha enriquecido a partir do Mundo de Christina enquanto que os Olsen continuaram morando na mesma casa em ruinas que se pode ver no quadro. Diz-se que Wyeth ofereceu grana à família, e que Cristina não aceitou.

Para além das questões sem resposta satisfatória, o certo é que Christina e Andrew foram amigos até a morte dela, em 1968, e que aprovou o quadro, disse que ver essa obra fazia ela reviver os tempos em que amava se arrastar pela grama.

Um ano antes de morrer, 2009, Wyeth disse que queria ser enterrado com Christina.

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