Ancestralidade

Por: Aquiles Castro

A exposição “Ancestralidade” de Aquiles Castro, retrata a manifestação cultural da cidade de Laranjeiras, que está na memória afro-brasileira, os Lambe Sujos e os Caboclinhos. Nessa viagem fotográfica, Aquiles mergulha na cultura do folclore sergipano e vai então conhecendo as tradições e a história pouco contada nos livros.

 

Com um olhar mais poético do que documental sobre os Lambe Sujos e os Caboclinhos, Aquiles aproxima arte e vida, retratando imagens vibrantes que vão sendo veiculadas a uma dramaturgia, investigando a natureza da cultura negra e indígena.

A presença de danças, cortejos, lutas, rito e carnavalização, se traduzem em corpos que são ocultados sob camadas de carvão pisado misturado ao cabaú e o roxo-terra misturado com água. Em que personagens emergem no olhar do artistas, como a Mãe Suzana, com vestes em retalhos, carregando na cabeça um cesto cheio de objetos; o Pai Juá, o Preto Velho espiritual dos negros; o Feitor, que dá o clima de tesão ao cortejo e os índios com seus cocares na cabeça são personagens marcantes da dramaturgia.

Nessas imagens, a cor é um elemento central, revelando uma vibração única. Em que a cor é o próprio corpo, é natureza, ela atiça os contrastes, dando uma intensidade luminosa a imagem, que retrata a espiritualidade e homenageia a história dos escravos locais em um cortejo teatralizado.

Em que o artista se lança de corpo e alma para então obter aquela subexposição característica em algumas fotos desta série, sem uma preocupação com o foco, que é dado a cada passo, as vezes mais de perto, as vezes mais de longe, pois a luminosidade, a cintilância são elementos que constituem a narrativa poética.

Fernanda Kolming

Pesquisadora e Curadora

Séries presentes na exposição:

Lambe Sujo e Caboclinho (15 Obras)

5.png