Rua Cristóvão de Barros e travessa Serigy

Atualizado: Mar 21

Cristóvão de Barros e o cacique Serigy batalharam na orla, entre os rios Vaza Barris e Sergipe, nos 1500. Hoje, poucos se lembram deles, a não ser como logradouros - que é uma forma quase insignificante de ficar na história. Contudo, o índio está mais presente que o português no dia a dia do aracajuano: aparece no lendário bar Cacique Chá, no palácio Serigy, numa concessionária Honda etc. Dom Barros é mais difícil de achar. A cidade de São Cristóvão, ao contrário do que se pensa, homenageia um outro Cristóvão, mais relevante em nesse tempo.

Ao virar logradouros, no entanto – quando a história passou pelo crivo da Câmara dos Vereadores -, o reconhecimento foi díspar: rendeu uma rua para Cristóvão de Barros e uma travessa para Serigy. A rua Cristóvão de Barros, sem ser importante, acabou ficando no nobilizado bairro 13 de Julho; perto dela temos a Maple Bear Canadian School, a loja de roupa Body Wear Store e o edifício Mónaco; nomes todos adocicados para burgueses e aspirantes. A travessa Serigy fica no bairro José Conrado de Araújo, cheira mais a suor de trabalho que de academia, ao redor dela encontramos a Casa do Parafuso, Aribé Motos e a loja de auto peças Sucauto.

Em 1º de janeiro de 1590, o Capitão Mor Cristóvão de Barros derrotou o cacique. Vinha do Rio de Janeiro, onde tinha adquirido experiência em vencer índios com facilidade, graças a pólvora. Depois do triunfo, nomeou padroeira e distribui as terras conquistadas entre os colaboradores. Não se pode negar a valentia do capitão, ou seu espírito aventureiro, mas também não podemos negar que jogou com todas as vantagens tecnológicas da época.

Muito maior foi, nesse sentido, o mérito do cacique. Construiu uma aliança com os franceses, que lhe forneceram armas de fogo; mobilizou outras tribos da região, chegou a contar 2800 soldados treinados. Com pouquíssimos recursos e assediado por uma potência mundial, Serigy resistiu durante 30 anos.

Foi um exemplo de empreendedorismo, desses com que babam as elites toda vez que querem demonstrar que o capitalismo que se pratica por aqui oferece oportunidades para todos que se preparam convenientemente: 'nasceu no sertão e ingressou em medicina'; 'sua mãe era faxineira, ela é promotora'; essas histórias que representam uma porção infinitesimal dos casos, mas que são apresentadas como exemplaridades do sistema.

Serigy foi, talvez, um desses casos excepcionais. Se o critério dos vereadores fosse realmente meritocrático - como alguns políticos gostam de badalar -, o português poderia até continuar onde está; mas o cacique, pelo menos, deveria ser nome de shopping.

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