Parque Nacional Serra de Itabaiana: Descaso e abandono do Poder Público

"Tinha uma galera de bike, moto, com tambor, instrumento, soltando bomba, som alto... Tinha pessoal com rapel no poço negro, tinha gente subindo e descendo.

Era povo chegando e eu indo embora, até ficarmos encurralados. Tinha 3 ônibus, 2 topik e fora os carros... Tinha grupos de turismo com 50 pessoas... Parei de contar... Umas 200 pessoas ou mais. F.. viu!”


No Art. 225 da Constituição Federal da República Federativa do Brasil de 1988 lê-se: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à Coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.


De se observar que destaco no texto com o início de um desabafo de uma trilheira que ao chegar à Serra de Itabaiana no último domingo dia 30 de maio deparou-se com um número excessivo de visitantes concentrados na Trilha do Caldeirão, trilha esta considerada a mais bonita e mais visitada na Serra, por suas belas cachoeiras que se destacam ao longo da trilha que fica às margens do Riacho das Pedras. Vale ressaltar que qualquer tipo de trilha, seja ela Trilha guiada ou trilha autoguiada possuem uma capacidade de carga efetiva que representa o número máximo de visitas que a trilha pode suportar em um dia, mas que para que isto aconteça é necessário que exista no parque uma fiscalização para poder controlar, orientar e sensibilizar os visitantes que lá chegam. As atividades humanas no meio ambiente devem ser monitoradas e controladas!


Estamos na Semana do Meio Ambiente. Semana de conscientização e sensibilização criada no Brasil pelo Decreto nº 86.028 de 271 de maio de 1981, que tem como objetivo complementar a celebração ao Dia Mundial do Meio Ambiente instituído pela ONU e que é celebrado no dia 5 de junho. Esta iniciativa visa incluir a sociedade na discussão de pautas que tratem da preservação do patrimônio natural, porém o que presenciamos é um total descaso e abandono do poder público, em particular o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, órgão este responsável pela administração e fiscalização do Parque Nacional Serra de Itabaiana.


A má administração, a falta de fiscalização, a falta ou quebra de regras de planejamento a nível governamental faz com que áreas desta Unidade de Conservação Natural Federal fiquem desprotegidas, causando degradação, provocando uma série de impactos de ordem negativa sobre o ambiente, como disposição inadequada dos resíduos sólidos deixados pelos visitantes, o corte ilegal de árvores nativas para fogueiras, gravações de nomes pessoais em rochas e troncos de árvores dentre tantos outros impactos que são causados pela visitação do ser humano.


As agências de turismo, condutores ambientais e guias de turismo têm um papel fundamental nesta fiscalização, orientação, conscientização e principalmente na sensibilização dos visitantes, a fim de mostrar compromisso ambiental. É de fundamental importância que esses três agentes do turismo analisem e reflitam sobre o que é mais importante para a vida do planeta! De levarem um grupo de 30, 40 ou até mesmo de 50 pessoas para realizar uma trilha ou reduzirem este grupo para um número de pessoas adequadas para que se possa realizar um trabalho mais assertivo no que se refere ao propósito de se realizar uma trilha! O Turismo de massa deixa grandes consequências de impacto negativo para o meio ambiente!


O Parque Nacional Serra de Itabaiana, assim como outros atrativos naturais que encontramos em nosso Estado é patrimônio nosso, é patrimônio da humanidade e não só cabe ao Poder Público o dever de conservá-lo e preservá-lo, este um dever é de todos nós. Cuidar do Meio Ambiente é preservar não apenas as vidas dos animais sejam eles vertebrados ou invertebrados, cuidar do Meio Ambiente é cuidar também de nós mesmos!


Fotografias por: Adriana Alves, Lucas Santos e Manuel Júnior


Sobre Manuel Júnior:


Manuel Junior, o Pipoka. Aracajuano, 44 anos, pós graduando em Gestão Ambiental, graduado em Tecnologia em Gestão de Turismo pelo Instituto Federal de Sergipe - IFS, agente multiplicador de Educação Ambiental, Condutor Ambiental e Guia de Turismo atuando na área de Ecoturismo, Turismo de Aventura, Trilhas Ecológicas e Acampamento há 14 anos. Espeleólogo e presidente do Conselho Fiscal do Grupo de Espeleologia Centro da Terra, brigadista florestal formado pelo Prevfogo - Ibama em 2009, Ambientalista e Cicloativista.

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