Papai Noel, a Black Friday que levamos no coração

Atualizado: Fev 15

No século III, na atual Turquia, vivia um monge que herdou uma fortuna e a dedicou a ajudar as pessoas. O caso mais conhecido foi o das três irmãs submetidas à prostituição pelo próprio pai, a quem o religioso deu um dote para que arranjassem maridos que as livrassem do martírio. O monge passou à história como São Nicolás e sua vida virou lenda e o aniversário da sua morte, no 6/12, passou a ser, na crença popular, um bom dia para fazer grandes compras e também para se casar. No século XVI, os protestantes deram as costas para todos os santos da Igreja Católica, mas Nick continuou lá. E, em representação da sua proverbial generosidade, os europeus do norte passaram a praticar o ritual de presentear as crianças em seu nome.

Com a Revolução Industrial - a máquina produz bens muito rápido e o sistema precisa de consumidores à altura -, São Nicolás passa a associar-se à explosão anual de consumo que se produzia na época de Natal. Nos Estados Unidos, são de 1820 os primeiros anúncios de lojas que utilizam o antigo santo para vender sua mercancia. Nessa mesma época, um poeta recolhe a tradição oral sobre Nick e populariza para sempre os traços que hoje conhecemos: casaco vermelho, trenó, cervos voadores, presentes para as crianças e uma habilidade que lhe permite entrar e sair das casas pela chaminé, com apenas um aceno de cabeça. Claro, essa descrição não tem muito a ver com um santo. Mas São Nicolás, ou Sinter Klaas ou Santa Claus, em acorde com a tradição nórdica, é a essa altura um elfo. Até 1863, o povo é que imaginava esse elfo que entrava e saia das casas pelas chaminés. Mas nesse ano, o cartunista Thomas Nash, pintou pela primeira vez o Papai Noel que todos conhecemos. A partir da década de 1920, a Coca-Cola atrelou à sua marca a imagem do duende velho, bom e generoso, e o personagem entrou na cabeça de meio mundo junto com a bebida açucarada.

Faz mais ou menos duzentos anos que Papai Noel é um puxador do consumo, para o período de Natal. É comprar os presentes, gastar num menu especial, gastar na roupa que vamos vestir nesses dias. Nesse sentido, pode se comparar ao Black Friday, outro puxador de consumo dos últimos tempos, que também aponta ao Natal. Mas existe uma grande diferença entre o velho Papai Noel e o mais recente garoto propaganda do sistema. Com o Black Friday, os mercadores apelam à cobiça das pessoas. E não há nada mais triste do que ver as pessoas acumulando contas de vidro. O Papai Noel dos comerciantes também nos pede que compremos coisas. Mas não apela ao egoísmo. Pelo menos, junto com o consumo que envolve o Natal também são passadas ideias de reunião. E muito embora 2020 possa ter tornado reuniões e encontros algo raro ou impossível, também nos mostrou que existem diversas maneiras de se fazer presente para alguém. Que em 2021 possamos estar cada vez mais presentes na vida daqueles que amamos, pois esse pode ser, talvez, o melhor presente possível que poderíamos dar!


A Palco dos Sonhos deseja a todos um feliz e presente Natal.

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