Arte a serviço do erotismo

O quadro O Beijo é uma das vítimas mais exitosas do kitsch: podemos vê-lo em camisetas, capas de caderno, chaveiros, relógios de parede etc. Foi pintada em 1908, em Viena, uma cidade que reunia na época um grupo de estudiosos que, com Sigmund Freud na dianteira, se dedicava ao estudo do sexo e da sexualidade.

Gustav Klimt tinha 45 anos, era o pintor número um de Áustria, O Beijo era o trabalho final da sua série dourada que, como uma boa parte da sua obra estava dedicado à paixão erótica, do ponto de vista do macho. As mulheres parecia ser o assunto que ocupava obsessivamente, não apenas sua obra, mas também sua vida.

O Beijo (Wikipédia)


Klimt pintava acompanhado por modelos nuas, apesar de que nos quadros muitas vezes aproveitava apenas seus rostos. As modelos andavam à vontade pelo atelier, sem roupa, e o artista captava seus olhares, seus gestos fugazes. Há, contudo, centenas de desenhos a lápis de Klimt, com mulheres luzindo suas vaginas ou masturbando-se. Ele trabalhava vestido com uma túnica, dizem que sem nada embaixo.

Os estudiosos da sua obra discutem sobre a identidade da mulher de O Berijo. Foi Emilie, dona de uma loja de grife de Viena, companheira do pintor durante vinte anos; Adele, esposa de um rico industrial e amante do artista ou a ruiva Hilde, uma de suas modelos?


Mulher sentada masturbando-se, 1913 (Wikipédia)


Apesar de ser considerado um libertino, um homem de comportamento sexual escandaloso, Gustav viveu a vida toda coma mãe.

Quando morreu, aos 55 anos, 14 mulheres afirmaram ter filhos dele e quatro conseguiram o reconhecimento como herdeiras na justiça.

O Beijo, pintado em 1908, foi esquecido em 1909, dizem os críticos jocosamente. Klimt ficaria na sombra pouco depois. Teria que esperar até a década de 1960 quando, numa nova revolução sexual, passaria a ser o poster que não podia faltar na casa de todo jovem antenado. A partir daí a fama do quadro não pararia de crescer.


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