Acidente na avenida da “Explosão” completou 41 anos

A história que vou lhes contar é bem conhecida dos moradores da capital sergipana. Quem nunca ouviu falar sobre a Avenida da Explosão? Essa história sempre me deixou curiosa talvez porque o acidente ocorreu na data do meu aniversário 13 de abril. Conta os moradores mais antigos que no domingo, por volta das 23 horas, um galpão clandestino de fabricação de fogos de artifício instalado nos fundos da casa do subtenente Pedro, do Corpo de Bombeiros, explodiu. A partir deste dia, a então avenida que era denominada Cotinguiba, localizada no bairro Suíça, se transformou na avenida da "Explosão".

Os efeitos da explosão atingiram um raio de quase 10 quilômetros, o que deixou 12 mortos e centenas de feridos. Várias casa do bairro Suíça tiveram suas vidraças quebradas por conta do impacto da explosão.


A minha bisavó, Marieta Leal Soares foi uma dessas moradoras. Ela me contava que na noite do ocorrido estava dormindo e escutou um barulho estrondoso seguindo de um enorme clarão. Os vidros da janela do quarto em que dormia se estilhaçaram, fez voar quadros da sala. Ela dizia que parecia um cenário de guerra. Me contou que vestiu a roupa e saiu para a rua junto com minhas tias, tinha vizinhos em pânico, de camisolas e cuecas sem entender o que estava acontecendo. Barulhos de sirene das ambulâncias e das viaturas do corpo de bombeiro se misturavam aos gritos de desesperos.


A minha bisavó contava que o enteado do subtenente Pedro, de nome Ronaldo e sua mulher que estavam na casa morreram na explosão. O dono da casa e sua esposa Natália sobreviveram, depois do acidente o subtenente Pedro e sua esposa Natália se mudaram para o conjunto Médici. Pedro morreu há alguns meses depois levando consigo o trauma de provocar um acidente que marcou a história de Aracaju.


A "avenida da Explosão" completou 41 anos e os moradores preferem esquecer o fatídico dia 13 de abril de 1980, porém além do registro em sua memória o nome da Avenida nunca mais voltou a sua origem, sendo chamada até hoje de “avenida da Explosão”.